Não poderia deixar de começar minha contribuição como colunista no Manaus de Fato sem problematizar as mídias de comunicação. Durante esses dias de carnaval você ouviu falar na escola de samba Paraíso do Tuiuti?

A agremiação apresentou o desfile mais politizado e crítico da Marquês de Sapucaí, no estado do Rio de Janeiro, e se tornou o 2º assunto mais comentado no Twitter no mundo após o desfile histórico, conforme a mídia Band Uol.

A grande mídia (aglomerado de meios de comunicação que são donos de concessões públicas, mas que gerenciam de modo privado, sem considerar os interesses da sociedade ou a verdade da notícia como um todo) teve que, com um certo nó na garganta, apresentar os itens que compunham o desfile da Paraíso do Tuiuti.

Essa mesma grande mídia que criou o discurso da falsa crise econômica; que faz de tudo para mostrar que a Reforma Trabalhista e da Previdência é necessária; a mesma mídia que criou o clima ideal para retirar uma presidente eleita com o voto popular e transmitiu a votação do impeachment como se fosse um grande show, mas não transmitiu a defesa de 13 (treze) horas no Senado daquela mulher presidente da república; a mesma mídia que tornou num grande Big Brother (programa no qual um conjunto de pessoas é vigiado 24 hs por dia) a vida de um homem operário que se tornou presidente e está sendo condenado pelo judiciário sem provas consistentes.

A grande mídia, com todo seu aparato (TV, internet, Jornais), cria uma realidade paralela com o intuito de manipular mentes e corações, e trabalha arduamente para que o povo brasileiro veja apenas um lado da realidade. Eu assisto atônita quando esta mídia coloca economistas liberais nos jornais de meio dia e da noite, que possuem alta audiência, para reafirmar a necessidade das Reformas que retiram direitos da classe trabalhadora. E essa mesma mídia esconde ou dá pouca ênfase aos grupos que são privilegiados com aumentos imorais como a classe política e o judiciário. Sem contar que não informam sobre os juros da dívida pública brasileira e dos Estados ou nem problematizam os acordos de dívidas de grandes empresas com juros baixíssimos e com prazos intermináveis (os chamados Refis).

Sim, vivemos uma guerra de narrativa pelo poder de comunicar a realidade. As mídias sociais estão na ordem do dia e a população e os movimentos sociais precisam se apropriar cada vez mais de Rádios Comunitárias, Canais de Yotubers, Instagram, Tvs, Sites. Neste sentido, a iniciativa do Jornal Manaus de Fato é de suma importância, o trabalho desenvolvido pela Rádio Comunitária A VOZ DAS COMUNIDADES- 87,9 FM (da qual fui membro fundadora) é de suma importância. São iniciativas como estas que dão à sociedade a oportunidade de ter outras narrativas sociais disponíveis para acessar.

É horrível acordar pela manhã em Manaus, ligar o Rádio e ouvir um deputado federal da bancada do Amazonas que votou à favor da Reforma Trabalhista dizer que isso foi algo importante para o Brasil e para o nosso Estado. Como?! É absurdo. Essa mesma emissora de rádio é a primeira a chamar os trabalhadores de vândalos, desocupado, vagabundos quando estes protestam contra atrasos de salários ou condições degradantes de trabalho. Nunca chama um(a) sindicalista para dar uma entrevista e explicar as reivindicações da classe trabalhadora.

Neste carnaval a classe que vive do trabalho conseguiu emplacar uma contra narrativa e deu uma bela lição de como a cultura pode ser utilizada como forma de protesto, sem perder a leveza. E deu o recado de que o povo está entendo sim a vida política do seu país. Fizeram uma leitura política forte, acertada e com um emocionante FORA TEMER, vindo dos presentes na Sapucaí. E a grande mídia teve que engolir.

Na nossa guerra cultural, a disputa é também de narrativa e as tecnologias da comunicação possuem um papel fundamental nisso. A disputa é pelo poder de formação ou conformação das consciências sociais.

 

Saudações à todas e todos.

 

PARABÉNS A PARAÍSO DO TUIUTI

FORA TEMER e NÃO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA

 

Marklize Santos

Coletivo Rosa Zumbi – Amazonas

Membro da Direção Nacional do Partido Socialismo e Liberdade

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