Meu Deus! meu Deus! Se eu chorar não leve a mal, pela luz do candeeiro, Liberte o cativeiro social!

 

A reflexão sobre o cativeiro social levado a avenida neste ano de 2018 pela Escola de Samba paraíso do Tuiuti do Rio de Janeiro deve nos impulsionar a transpor sua conotação racial e de classe. Luta contra cativeiros representa lutar contra todas as formas de negação da liberdade e dos direitos elementares de cidadania. Quando tratamos da condição dos LGBTI´S, o se eu chorar não leve a mal é fenômeno comum! Quando fazia meu trabalho de campo do doutoramento em antropologia social, onde pesquisei sobre a violência contra LGBTI´S na cidade de Manaus, deparei-me  com a tristeza, o pranto e a dor de agentes afetados por diversas formas de agressão.

A pesquisa que se encerrou em 2016 registrou índices preocupantes de violência contra LGBTI`S no Brasil nos últimos anos, todavia, o golpe instaurado, neste mesmo ano, tornou as realidades destes povos mais dramáticas, que passaram a assistir o desmonte de todas as políticas públicas de direitos humanos LGBTI. O fim destas políticas coloca os LGBTI´S em maior vulnerabilidade social:

Segundo dados do GGB – (Grupo Gay da Bahia), em 2017 houve 445 mortes de pessoas LGBTI, sendo 387 assassinatos e 58 suicídios, um aumento de 30% se comparado ao ano anterior cujos registros indicaram 343 mortes; A ANTRA – ( Associação Nacional de Travestis e Transexuais), que apresentou dados da violência contra o povo “T”, isto é, de assassinatos de Travestis e Transexuais no Brasil em 2017  – revelou dados que reforçam que a violência marcada pelo ódio associado à violência de gênero traz também números assustadores. Em 2017 foram contabilizados 179 assassinatos, sendo 169 travestis e mulheres transexuais e 10 homens transexuais. O relatório ainda deu visibilidade ao fato de que somente 10% dos casos teriam tido seus suspeitos/agressores presos. Fica patente, portanto, a ineficiência do sistema de justiça nas investigações e responsabilização nos casos de violência contra LGBTI, resultado da inexistência de legislação específica, de estrutura policial e vontade política.

O golpe contra a democracia brasileira teve a finalidade de retirar direitos conquistados e impedir a construção de novas políticas sócias de inclusão, neste sentido, o que vemos deste governo sem legitimidade é a total insensibilidade frente o avanço da violência LGBTIFOBICA. A manutenção do Ministério dos Direitos Humanos, órgão responsável pela articulação e execução da política LGBTI, não representou, portanto, continuidade, muito menos avanço da política desenvolvida pelo governo Dilma até o ano de 2015. Enquanto isto, o mais recente projeto de lei 7582/2014, que estabelece a criminalização das práticas de ódio e de intolerância contra LGBTI permanece paralisado e, a considerarmos a composição do atual congresso nacional, o mesmo permanecerá imóvel.

O grito entoado pela Tuiuti deve ser o grito de cada LGBTI, de cada pessoa consciente e comprometida com o direito a vida e a dignidade humana! Vamos à luta contra todas as formas de cativeiros sociais!

 

Parabéns Tuiuti por ter explicado tão bem o golpe!

A luta continua

 

Denis da Silva Pereira, professor do Instituto Federal do Amazonas – filósofo com doutorado em Antropologia Social; secretário adjunto da Secretaria LGBT do PT/AM

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